quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Para todas nós....... linda

MULHER

Um aroma suave
exalou das mãos do Criador,
quando seus olhos contemplaram
a solidão do homem no Jardim!
Foi assim:
o Senhor desenhou
o ser gracioso, meigo e forte,
que Sua imaginação perfeita produziu.
Um novo milagre:
fez-se carne,
fez-se bela,
fez-se amor,
fez-se na verdade como Ele quer!
O homem colheu a flor,
beijou-a, com ternura,
chamando-a, simplesmente,
Mulher!

Ivone Boechat


Maria Amélia ..... vai dar merda vai!

Eu acho que estão com a razão toda, isto ainda vai dar merda, ai vai vai!!!!


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

mad world

é o que temos.....


Tempestade

Bem, esta tarde abateu-se o dilúvio nesta cidade, acho que nunca vi em tão pouco tempo tanta chuva tanto vento e trovoada , tudo junto e ao mesmo tempo!! Gosto do inverno sim, mas de exageros nem por isso! De casa ao trabalho demoro tipo uns 3 minutos, a andar devagarinho, e hoje dos tres minutos do escritório a casa, levei um grande banho e pensei que tinha que atravessar a estrada a nado!!!!

Entretanto chego a casa como um pinto, e diz a mãe:
-Acho que entrou água no sotão!!
-Então??!! - digo eu
-Caem umas pingas na cozinha....

Vai daí dispo-me e subo ao sotão para ver a desgraça e voilá, piscina interna, maravilha , mas não uma piscina qualquer, era tipo spa, uma piscina de lama, uma vez que o sotão não é usado e tem pó de anos..... levei mais um banho, desta vez de lama que até faz bem à pele, para além de uma espondilose lombar, que tou aqui que não me aguento das cruzes! :)
E não, não é da idade , não tou velha, tive foi baixada muito tempo........

Agora ainda chove e ainda troveja de longe a longe, quero dizer longe bem perto que acabou de dar um trovão que até a luz estremeceu.... espero só que não se abram as torneiras como de tarde, até porque, chega um banho de lama uma vez de longe a longe e de longe a longe entenda-se com vários anos de intervalo!!!
Mas não me parece que vá melhorar, a trovoada continua e em força!!
Tenho medo, na verdade, não gosto muito de trovoada e... parece-me que vai falhar a luz!!!!
Precisava agora de me sentir segura nos teus braços!!! isto só para dizer que tenho saudades dos teus abraços!!
:(

eram umas 5 da tarde...

dias assim...

Hoje tá um dia que faz favor! Ia levantando, literalmente voo, a sorte é que tenho um guarda chuva potente, ia parecer a Mary Poppins de Braga..... uma maravilha, temos de tudo, chuva, ventania e frio, a fazer lembrar verdadeiros dias de inverno! Até gosto, se estivesse em casa em vez de estar a trabalhar!
Mas mesmo assim, não sei porquê fascinam-me dias assim, não sei explicar, sempre gostei do inverno, deve ser por ter nascido num mês de frio :)
Gosto de ouvir a chuva a cair, gosto de ver as árvores a abanar ao som do vento..... gosto desta melancolia mas que não me deixa triste, gosto do inverno e .

E é assim que chove em Braga...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gnoma-Mão morta




Dá-me mais quero mais
Desse vinho bem forte
Acre sol estival
De uma vida em desnorte
Já perdi o que tinha
A família a consorte
Para ser mero pó
Falta só vir a morte a morte

Tem calma irmão
Que a morte está aí para todos nós
E à parte as mães
Ninguém pode afirmar de viva voz
Que deixa cá algo
Quando a vida nos solta enfim os nós

Serve então mais um copo
Uma noite a beber
Não fará mal pior
E dará p’ra esquecer
O vazio que me ataca
Esta dor de viver
A feroz solidão
Que me faz q’rer morrer morrer

Tem calma irmão
Que a morte não precisa do teu sim
É coisa certa
Mais vale fazer da vida um festim
Canta antes dança
Que a vida não te surja mais ruim

Cantar eu?

Dançar dizes tu...

Serve então mais um copo para ajudar

Tem calma irmão
Que a morte não precisa ser assim
Canta e vais ver
Que a vida não te larga mais por fim

Nós

Nas minhas mãos, as tuas mãos ainda,
nos meus lábios os teus repousam
no meu regaço o teu abraço,
no meu olhar o teu brilhar.

No meu sorriso, o teu sorri
no meu beijo o teu arrepio
nos nossos corpos o nosso cheiro
no nosso ser, a nossa essência.

Seremos sempre nós de nós
seremos sempre únicos
seremos sempre e sempre seremos
sem nunca esquecer, sem nunca perder!

Sempre nós!

Sozinha

A chuva bate na janela, escorre no vidro e deixa a tristeza ficar.
Vejo, por entre as cortinas, um carro passar.
Vem um, depois, outro
e em nenhum te reconheço....
Teu cheiro na minha boca
e a tua marca no meu coração
mostram o tempo em que a tua mão me tocou
e me deixou aqui
sozinha
Não suporto a solidão.
Não quero um amor pela metade.
Estou cansada de juntar os cacos do meu coração,
de procurar o pedaço de mim
que ficou em ti.

Leva-me daqui,
faz-me de novo feliz
com um surpreendente recomeço.
A porta está aberta,
estou aqui perdida na espera.

Ainda te espero na janela na esperança de nos ver chegar...
Nós, sim, porque enquanto viver serei sempre nós
e nunca mais eu.

(C Oliveira)

Inverno

Amo o Inverno assim triste,e sombrio,
lembrando-me alguém que já não sabe amar;
e sempre, quando o sinto e o espio,
julgo-te eternizado,solto no ar.

Livre a alma, no Inverno a desafio
a ainda te querer e te pensar…
libertar o meu corpo do arrepio,
e aquecer meu coração de tanto te amar

Loucura pertinaz do meu desejo:
— emprestar-te, emprestar-lhe uma emoção,
— pelo mal de perder-te querer tê-lo…
Amor! Inverno! Minha devoção!
quem me dera aquecer-me no teu gelo!
quem me dera arrefecer-te no meu verão!…

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Que???

Príncipes encantados?
Contos de fadas com finais felizes?

Isso só mesmo nos livros e nos filmes da Disney!!!

BAAAAAAAAAAHHHHHH!

TPM..

Às vezes canso-me disto....
parece o muro das lamentações.....
um dia pego numa picareta e deito isto tudo abaixo.


Cheira-me a

Pensamento

Eu sei o que é a Vida......
A vida é que não sabe quem eu sou!!!!

Alma que voa

Solto agora a minha alma
Que liberta, voa agora de encontro
Ao que mais ama.
Sou livre e voo
sem amarras nem cordões.

Voa livre a minha alma
Junta com o meu coração!
É livre agora para sorrir
Para Ser,
Para amar, amar em liberdade.

Sem nunca te esquecer
Sem nunca deixar de te amar
Sem nunca deixar de me amar.


Sentidos

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.


Tento ouvir o silêncio...
Ver a luz nesta escuridão...
Cheirar o aroma da água pura...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguir
Irei descobrir-me...


Moribunda

Estou cansada
Já me faltam as palavras!
Já não sinto o meu corpo
Ficam tantas frases por dizer
outras tantas por calar,
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
os dedos começam a tremer
Soluço....
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita.
A minha alma está triste e o meu corpo cansado,
Sinto-me moribunda da vida
Estou num beco sem saída.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

no silêncio da espera

O silêncio impera na casa, só se ouvem os pingos da chuva que caem lá fora.
O barulho que ouço são os da minha cabeça que rodopia num turbilhão de emoções, guerream entre si, entre a raiva e o amor, entre a ânsia de te ver, de te falar de olhar nos teus olhos sem poder. Entre memórias que vão e vem que me rasgam a alma, que me cansam, que não me deixam dormir.
Sinto a tua falta, tenho saudades de ti e sinto que me vão faltando forças para continuar a lutar de desistir de ti.
Esqueci-me ao longo dos anos, de me esquecer de ti, esqueci-me de me esquecer de tudo o que fomos esqueci-me de me esquecer do passado que o quero presente, mas sem pensar no futuro.
Preciso de ti agora, preciso, como as flores precisam do sol para florescerem,preciso de ti neste inverno que tarda a chegar, preciso das conversas dos risos, preciso de ti!
O silêncio impera agora em casa, mas os gritos da minha alma ensurdecem-me o ser, estou cansada de não te ter.
Vives perto do meu coração mas longe da minha pele e não quero, quero-te aqui agora.......lá fora a chuva cai, sem pressas, como se o tempo tivesse parado, mas cá dentro tudo corre como se não houvesse amanhã!
As saudades rebentam-me os olhos, inundam-me de desespero, rasgam-me a pele, malditas estas saudades que abomino.
Estou cansada da espera, não me apetece mais esperar, mas o meu coração não me deixa abandonar-te a um canto.
Estou cansada e já chega!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O que tu és para mim.

Tu... desconcertas-me e re-arrumas-me.
Tu... inquietas-me mas também me sossegas.
Ocupas o meu pensamento e ganhas o meu sentimento.
Tu... és o passado numa nova e bela forma.
Tu... foste e agora és. Mais do que foste, és. E serás.
Destino vestido de passado e disfarçado de acaso. Esse és TU.

Ausência - lindo

Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado
Eu deixarei...
tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém
porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada


Vinicius de Moraes


o meu amor

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz

Chico Buarque

linda linda linda...

como o teu....

O sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

silêncios

São muitas as coisas que preciso falar e tantas outras que não posso dizer.
Não posso dizer que te amo, nem gritar tudo o que sinto.
É muito barulho, som e fúria.
Então calo pequenos silêncios e componho histórias que invento.

Rabiscos de alma, rascunhos de dor e saudade....

(C.Oliveira)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

As dos jornalistas também são boas!!!

Calinadas de Jornalistas Portugueses


Jornal TVI, Manuela Moura Guedes:"Um morreu e o outro está morto."
(Pudera...)

Jornalista da RTP:"É tragico! Está a arder uma vasta área de Pinhal de Eucaliptos!"
(pior seria se fossem pinheiros mesmo!!!)

Jornalista da TVI:"As chamas estavam a arder!"
(Fenómeno raro...)


Rádio de voz de Arganil:"Quatro hectares de trigo queimados. Em princípio trata-se de um incêndio..."
(Em princípio... mas pode ser uma inundação...)

Rodapé do Telejornal da SIC:"O assassino matou 30 mortos"
(foi só para confirmar que estavam mortos...)


Jornalista da TVI:"Foi assassinado mas nao se sabe se está morto."
(É melhor pedir ajuda ao assassino de cima..)

Jornalista da TVI:"Estão 0 graus negativos aqui..."
(pois se fossem o graus positivos sempre estava mais quentinho..)


Locutora da Rádio Renascença, a fazer uma entrevista a um ouvinte:
"- É de onde?
- Moro e trabalho em Castelo Branco.
- E o que é que faz?
- Sou motorista de transportes públicos.
- Da Carris?"
(e a carris já chega assim tão longe?)


RTP1, locutor de serviço, no jogo Sporting - Mónaco: " Centro bem tirado por Didier Lang. A bola a subir... e depois a descer!!!"
(Pelas leis da física....... confirma-se)


Jornalista da TVI a descrever as consequências das cheias em Amarante, em Maio de 2001: "Os residentes já começaram a tirar tudo das garagens, carros, automóveis... "
( e já agora veículos...)

Mas no que toca a calinadas... as melhores são as do mundo do desporto!!

No último quilómetro há mais de mil metros de recta"
Marco Chagas - Relatador de Ciclismo

"...e Collina a tentar pentear-se"
Comentário de jornalista quando o árbitro P. Collina (completamente careca) justifica um canto querendo dizer que a bola raspou na cabeça do jogador

"A Suécia deu o pontapé de baliza deste Europeu"
Jornalista de RTP, no início do resumo do jogo inaugural do Euro 2000 entre a Bélgica e a Suécia

"Inácio fechou os olhos e olhou para o céu"
Nuno Luz, a comentar os movimentos de Augusto Inácio, no jogo Salgueiros - Sporting

"Pela primeira vez, duas equipas espanholas na final!"
"É...(pequena pausa)... e duas equipas do mesmo país!"
António Fidalgo, jogo Barcelona - Valência

"...até ao intervalo, fizemos uma boa primeira parte."
Carlos Brito, antigo treinador do Rio Ave

"...e o Paulo Sérgio teve a oportunidade de isolar-se sozinho e fez golo."
Jardel, antigo jogador do Sporting CP

"Clássico é clássico e vice-versa"
Idem

"Nestes jogos, sobe-me a NAFTALINA!..."
Idem

"Nós somos humanos como as pessoas"
Nuno Gomes, jogador do SL Benfica

"Na Nigéria há doenças muito perigosas como o tifo e a malásia"
Vale e Azevedo, antigo presidente do SL Benfica

"...uma humidade relativa, muito superior a 100%…"
Gabriel Alves, comentador desportivo

"A selecção não jogou bem nem mal, antes pelo contrário..."
Idem

"Juskowiak tem a vantagem de ter duas pernas!"
Idem

"O Benfica está em excelente forma, a jogar num 3x4x3x3"
Idem

"A selecção do Mali tem um futebol com perfume selvagem, com um odor realmente muito fresco..."
Idem

"...neste estádio OUVE-SE UM SILÊNCIO ENSURDECEDOR..."
Ainda idem

"Nem mesmo se eu tivesse dois pulmões alcançava a bola"
Bradock, jogador

"No México é que é bom. Lá recebe-se semanalmente de 15 em 15 dias"
Ferreira, jogador brasileiro

"Não há outra, temos mesmo de jogar com esta"
Reinaldo, jogador brasileiro, ao responder se ia jogar com a chuva

Algumas calinadas engraçadas.....

"Só tenho dois pares de mãos"

"Frita o bebé enquanto dou de comer às salsichas, está bem?"

"A chuva caía pelas paredes como se fosse água"

"Para todos aqueles que têm filhos pequenos e não o sabem, temos um pátio de recreio lá fora"

"Todo este gelo está congelado" :)))

"As maçãs não crescem nas árvores..."

"Ainda usam polegadas para medir as mãos dos cavalos"

"Isso foi a desculpa mais ilegível que eu alguma vez ouvi"

"Observa com um olho e escuta com o outro"

"Quatro pontos formam um triângulo equilátero"

"Esta é uma parte facultativa e obrigatória do exame"

"Quando a água atingir os 25ºC, veja a sua temperatura" :)))))))

"Numa palavra - Acho que não"

"Não te posso dizer como está o tempo, está tanto nevoeiro que é difícil ver"

"Sempre que eu abro a boca, um idiota começa logo a falar"

"Dou-te um talvez definitivo"

"Fechei as chaves, com a porta lá dentro!" - Esta é de minha autoria, sim porque às vezes também as dou..... calinadas tá claro! :)

Bem engraçadas!!

Hoje é domingo...... deixem-me dormir só mais um bocadinho:))

Até os animais sentem a crise :)))

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sophia de Mello Breyner Andresen

Assim o amor

Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa


Nunca mais

Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.

E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.


Pudesse Eu

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!


Terror de te amar


Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

"Se"

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem.


Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Na ausência da tua presença.

Nada se iguala aos teus beijos sufocantes,
mas mais importante ainda, são os teus abraços abrasantes,
mas apesar dos teus abraços quentes,
são mais quentes os toques da tua mão,
e tendo a tua mão toques tão quentes,
são os teus olhos mais penetrantes
mesmo teus olhos sendo importantes,
valem menos que a tua presença.

E se tudo tem significado importante
nada mais valem, do que a tua presença
porque o que mais desprezo
é a dor da tua ausência.

(C.Oliveira)

ser mau e invejoso dá nisto!!! :)

Miragem .... :))

a intolerância dá nisto! lool

Como provocar o caos!!! :)

No mínimo interessante!!

É difícil calcular o trabalho que deu este "site"...

À medida que vais passando com o cursor pelas figuras e fizeres um duplo click, recebes mais informação sobre cada uma.

Isto pode manter-te ocupado por horas !

http://cliptank.com/ab/PeopleofInfluencePainting3.htm

Mais pérolas da casa dos segredos 2

VOZ: "Miguel, diga nomes de rios portugueses".
MIGUEL: (entre outros)... "CARAMULO".


...e já agora fastio!!! (digo eu)

FILIPE
‎"Vocês importam-se que eu lance uma flatulência"


... e uma eructação tb!!!!!


O Hamburguer é prá Danni???

Carlos- "Sim porque eu comi.lhe a febra"


... mas ao menos deixa-lhe o osso!!!


MARCO:" há homens pequenos que também mudam para travestis "

... E homens grandes que mudam para anões!!!!!


sonia: eles até tem tudo a ver um com o outro (a falar de marco e susana)
catia:" sim... os astroides e isso"



... os astroides e o resto do sistema solar!!


Com tanto silicone no rabo, nunca vai ao fundo nas piscinas fundas e naqueles oceanos pacíficos'' Cátia a refirir-se ao silicone da Susana


.... nos oceanos pacificos e nos rios caramulos!!!

‎"Para teres um corpo assim, diariamente tens que trabalhar todos os dias"
By Filipe


... todos os dias de dia e de noite!!!!

Marco: Susana não metas mais silicone, já é um exagero
Susana: Oh, ainda não se nota nada



...é melhor mudar os espelhos a esta criatura!!!


Digam lá que não os escolhem a dedo!!!!

Fantástica a musica e o filme!!!!!! AMO

linda!






"A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração."

Saudade..

A saudade mais dolorosa é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos, dos abraços dos sorrisos e dos risos, do mau humor e das chatices. Saudade da presença, e até da ausência mesmo que consentida, a ausencia do dia a dia.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou se torna menor, ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como parar. Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ele continua a sorrir com aqueles olhinhos apertados; se ela continua a amar; se ela continua a chorar até nas comédias, se ele continua a fumar. Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que nos cesse o pensamento; não saber como fazer parar as lágrimas que caem ao ouvir uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bonita. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer, doer muito!
Saudade é isto que sento enquanto estive a escrever e o que voces, provavelmente, irão sentir agora, depois de acabarem de ler...


domingo, 9 de outubro de 2011

Demências- poemas ou algo parecido- Autor Alberto Silva

Demências- poemas ou algo parecido......


O primeiro, dos muitos livros ainda por escrever, escrito, por um AMIGO especial, que muito prezo e gosto!
Um AMIGO que fez parte de um passado, que faz parte do presente e que espero que faça parte no futuro.
Um criativo um pensador, um belíssimo escritor , genial, em suma um génio!!
Excelente como pessoa, amigo do seu amigo, estando lá mesmo sem estar, sempre atento e interessado, mesmo quando não mostra interesse nenhum, sendo maioritariamente ausente, sem nunca esquecer, como o próprio o diz!
Um homem, um pai, um filho, um Amigo sem igual, genuíno, sensível, terno, doce, mordaz, com um sentido de humor único e muitas vezes incompreensível o que o torna original.
Uma meta alcançada de um sonho há muito desejado!!
Escreve de uma forma limpa dando vida ás palavras, dando-nos vida, fazendo-nos pensar.
Usa as palavras desconstrói-as e constrói todo um novo sentido, toda uma nova maneira de ver e sentir as palavras.... as palavras que iluminam os dias... que tranquilizam...... que preenchem vazios.... que ocupam pensamentos, que nos fazem pairar entre a realidade e a fantasia..... palavras que rodopiam e nos abraçam.... palavras que cintilam e iluminam noites escuras..... palavras quentes que arrefecem memórias, palavras que bailam, na espera de serem devoradas!

Mais uma etapa cumprida, de entre muitas as etapas que te propões atingir!
Parabéns Alberto, não só pela tua genialidade pela tua partilha de sonhos, pelas alegrias que dás,pelo ORGULHO que nos fazes ter mas acima de tudo parabéns pela excelente pessoa que és!
Beijos grandes!!!!



Aceitarás o amor?

“Aceitarás o amor como eu o encaro?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.”

(Mario de Andrade)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Recordações

Aprendi a nunca substimar o passado,porque existem recordaçoes que nunca se vão apagar...estão demasiado entranhadas no nosso coração, na nossa pele na nossa alma ,e facilmente voltam a atravessar o nosso corpo , reaparecem do nada quando menos esperamos.
Recordações são muitas das vezes os pensamentos de agora, são as nossas defesas, não são objectos perdidos, a recordação é activa, está sempre lá, nós é que não ligamos, não associamos, porque preferimos fingir que esquecemos!
Porque normalmente o que foi duro de sofrer é duro de recordar, mas faz-nos bem, faz-nos pensar, aprender....e depois o que seria de nós sem recordações?

O mundo gira,as pessoas vêm e vão,o tempo passa e fica a recordação.
Igor Contreiras

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

beijos

"Ei! Você... não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que... te adoro, simplesmente porque você existe."
Te Desejo!...Te Desejo!...Te Desejo!...Te Desejo!...Te...
Beijos!...Beijos!...Beijos!...Beijos!...Beijos!...Beijos!
Charles Chaplin


Vão e vem...

Durante a nossa vida:

Conhecemos pessoas que vem e que ficam,
Outras que, vem e passam.
Existem aquelas que,
Vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...
Charles Chaplin

NÃO TER OU QUERER

Da minha decepção só nasce dureza
Do meu Amor Só nasce Tristeza
Não sei o que quero
Mas sei o que não posso ter

SORRI

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz

Charles Chaplin

DEVE CHAMAR TRISTEZA

Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.
Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.

Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.

Fernando Pessoa

Lendo




Beloved é a história de uma antiga família de escravos: Sixo, que «deixou de falar inglês porque não via nisso qualquer futuro»; Baby Suggs, que faz do coração o seu modo de vida porque «rebentou com as pernas, costas, cabeça, olhos, mãos, rins, ventre e língua»; Halle, o filho mais novo de Baby, que se deixa alugar para comprar a liberdade da mãe; Sethe, a mulher de Halle; e a filha de ambos, Denver.
O romance centra-se em Sethe e no legado que o tempo de escravatura lhe deixou – o fantasma da sua primeira filha, Beloved –, pelo qual é, literalmente, assombrada.

William Shakespeare - Soneto 92

Faz teu pior pra mim te afastares,
Enquanto eu viva tu és sempre meu,
Não há mais vida se tu não ficares,
Pois ela vive desse amor que é teu.

Por que hei de temer grande traição
Se tem fim minha vida com a menor;
De vida abençoada eu sou, então,
Por não estar preso ao teu cruel humor.
Tua mente inconstante não me afeta,
Minha vida é ligada à tua sorte;
Como é feliz o fato que decreta

Que sou feliz no amor, feliz na morte!
Porém que graça escapa de temer?
Podes ser falso e eu sequer saber.

Bernardo Soares

"O coração, se pudesse pensar, pararia."

"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis, porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.

Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."
( Livro do desassossego Fernando Pessoa)

Já ninguém escreve...

Já ninguém escreve cartas de Amor, aliás já ninguém escreve cartas de nenhum tipo, nem de amizade, nem de parabéns, nem postais de natal , já ninguém escreve nada!
A internet mudou tudo, retirou a magia de se abrir um envelope e ler o que está lá dentro.... a internet mudou-nos a todos!
Eu ainda gosto de escrever e ainda mando postais de natal, e já poucos recebo...
Ainda sou do tempo de deixar recadinhos em "post-it" com frases de amor, com "amo-te" e "adoro-te" e "tenho Saudades tuas", mas agora as sms e os e-mails, estragaram um pouco esse ambiente romântico que se vivia!
As únicas cartas que recebemos agora, são as contas e mais contas para pagar..... mas cartas de amor, amizade, não recebo nenhumas!
Ainda sou do tempo de escrever cartas aos amigos quando íamos para fora, de enviar postais dos sítios para onde íamos de férias,agora já ninguém escreve nada.
Tenho cartas e postais que guardo religiosamente, postais de família, cartas de amigos "postaizinhos" de amor, mas agora já ninguém escreve, já ninguém me escreve!!
As cartas guardam-se as palavras perpetuam-se, as sms os e-mails não!
Gosto de ler, gosto de ler com olhos de ver, gosto de sentir o cheiro das palavras, mas agora já não dá, já ninguém escreve cartas..... e tenho saudades!!

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

(Florbela Espanca)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Porque o Amor não se procura.... encontra-nos!

An excerpt from the 1999 romantic drama, "MESSAGE IN A BOTTLE".

Catherine's Prayer:

"To all the ships at sea,
and all the ports of call.
To my family,
and to all friends and strangers.
This is a message and a prayer.
The message is that my travels taught me a great truth.
I already had what everyone is searching for and few ever find:
The one person in the world
Who I was born to love forever.
A person like me,
of the Outer Banks and blue Atlantic mystery.
A person rich in simple treasures,
self-made, self-taught.
A harbor where I am forever home.
And no wind or trouble
Or even a little death can knock down this house.

The prayer is that everyone in the world can know this kind of love,
and be healed by it.

If my prayer is heard,
then there will be an erasing of all guilt, and all regret, and an end to all anger.

Please God.

I love you..

cântico negro... para ler e ouvir!

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

space in my heart

One man show....boom

domingo, 2 de outubro de 2011

Os Vários Tipos de Amor

Parece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada como devoção. Assim, podemos te afeição por uma flor, por um pássaro, por um cavalo; porém, a menos que o nosso espírito seja muito desajustado, apenas por seres humanos podemos ter amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa paixão que não há homem tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade muito perfeita, quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma verdadeiramente nobre e generosa.
Quanto à devoção, o seu principal objecto é sem dúvida a soberana divindade, da qual não poderíamos deixar de ser devotos quando a conhecemos como se deve conhecer. Mas também podemos ter devoção pelo nosso príncipe, pelo nosso país, pela nossa cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais que a nós mesmos. Ora, a diferença que há entre esses três tipos de amor manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos consideramos juntos e unidos à coisa amada, estamos sempre dispostos a abandonar a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que amamos; e, na devoção, ao contrário, a preferirmos a coisa amada e não a nós mesmos, de tal forma que não hesitamos em morrer para a conservar. Frequentemente se viram exemplos disso, nos que se expuseram à morte certa para defender o seu príncipe ou a sua cidade, e mesmo às vezes pessoas particulares às quais se tinham devotado por inteiro.

René Descartes, in 'As Paixões da Alma'

O Irracional no Amor

Se é ridículo beijar uma mulher feia, também é ridículo dar um beijo a uma beleza. A presunção de que amando de uma certa maneira se tem o direito de rir do vizinho que tem outra maneira de amar, não vale mais do que a arrogância de certo meio social. Tal soberba não põe ninguém ao abrigo do cómico universal, porque todos os homens se encontram na impossibilidade de explicar a praxe a que se submetem, a qual pretende ter um alcance universal, pretende significar que os amantes querem pertencer um ao outro por toda a eternidade, e, o que mais divertido é, pretende também convencê-los de que hão-de cumprir fielmente o juramento.
Que um homem rico, muito bem sentado na sua poltrona, acene com a cabeça, ou volte a cara para a direita e para a esquerda, ou bata fortemente com um pé no chão, e que, uma vez perguntado pela razão de tais actos, me responda: «não sei; apeteceu-me de repente; foi um movimento involuntário», compreendo isso muito bem. Mas se ele me respondesse o que costumam responder os amantes, quando lhes pedem que expliquem os seus gestos e as suas atitudes, se me dissesse que em tais actos consistia a sua maior felicidade, como é que eu poderia impedir-me de ver o ridículo de tal explicação - tal como o exemplo que há pouco dei; se bem que diferente, é certo -, enquanto tal homem não se resolvesse a pôr termo à minha hilaridade, confessando que esses gestos não tinham significação alguma. Num repente, com efeito, a contradição, que é a base do cómico, desaparece; porque não há nada ridículo em que uma coisa destituída de sentido seja reconhecida como tal, mas é grotesco atribuir-lhe um alcance universal. Em relação ao involuntário, a contradição reaparece: não é possível admitir o involuntário num ente racional e livre.

Soren Kierkegaard, in "O Banquete" (Discurso do Mancebo, sem experiência no amor)

Nunca Nos Separamos do Primeiro Amor

Já o disse em Hiroshima Mon Amour: o que conta não é a manifestação do desejo, da tentativa amorosa. O que conta é o inferno da história única. Nada a substitui, nem uma segunda história. Nem a mentira. Nada. Quanto mais a provocamos, mais ela foge. Amar é amar alguém. Não há um múltiplo da vida que possa ser vivido. Todas as primeiras histórias de amor se quebram e depois é essa história que transportamos para as outras histórias. Quando se viveu um amor com alguém, fica-se marcado para sempre e depois transporta-se essa história de pessoa a pessoa. Nunca nos separamos dele.
Não podemos evitar a unicidade, a fidelidade, como se fôssemos, só nós, o nosso próprio cosmo. Amar toda a gente, como proclamam algumas pessoas e os cristãos, é embuste. Essas coisas não passam de mentiras. Só se ama uma pessoa de cada vez. Nunca duas ao mesmo tempo.

Marguerite Duras, in "Mundo Exterior "

Outubro

Calor infernal.........